sexta-feira, 11 de março de 2011


Todos conseguem ver as crateras na Lua, mas ninguém consegue ver defeito nelas, nem mesmo a Lua que se exibe, brilhante. Inteiramente.

- Coração:

Ah, se você fosse um pouquinho bondoso não fugiria assim, aliás, não fugiria de forma alguma. Você não quer, eu sei, eu sinto, não quer ter essa responsabilidade. E sem ela não tem continuação. Pode me chamar de careta se quiser, essa é uma verdade apesar de tudo. E você sente, mas não sabe disso.
Só agora pude entender aquela frase que eu até cantava na minha infância: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”, talvez por ser tão batida. As palavras vão se banalizando a medida que são repetidas e então vão perdendo o sentido.
Eu sei que você gosta de mim. Não, você não me despreza. Só não quer ter essa responsabilidade que sou eu, não quer se envolver. É até melhor assim, porque depois nasceria a indiferença no lugar que era do vínculo, e seria horrível. Sabe, alguém também tinha razão ao dizer que o contrario da vida é a indiferença, não a morte.
Se, mesmo assim, o medo ainda for maior, fuja. Fuja, mas sem dizer nada, não tente explicar o que você não quer admitir. Só,por favor, não cometa a covardia maior de colocar a culpa em mim.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011


Bravo!
É o que tenho a dizer aos manifestantes do Egito.
Foi uma revolução bela e miraculosa.
Quem diria que o Egito, já vivendo a ditadura há 30 anos, com economia inteiramente baseada no turismo, comprometeria essa atividade e enfrentaria todas as conseqüências sem desistir, seguindo o exemplo de um pequeno país do qual pouco ouvimos falar, a Tunísia, e utilizando a internet, conseguisse através de protestos pacíficos derrubar o ditador Mubarak. É impressionante.
E contrariando a todos os que ainda chamavam os manifestantes de baderneiros, agora limpam toda a sujeira que fizeram na Praça de Tahrir, por terem perfeita consciência e respeito. Gandhi certamente ficaria feliz em ver a desobediência civil tão bem aplicada.
Essa luta e vitória traz sobretudo esperança aos vários países vizinhos que vivem situação semelhante à anterior do Egito. Num efeito dominó que deveria alcançar dimensões globais.
Não sei quanto a mais ninguém, mas para mim, isso corresponde a todos os meus sonhos revolucionários. O futuro, qualquer que seja, ganhou muito com esse exemplo a ser seguido.
Bravo!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Fiquei sabendo há pouco tempo o pensamento de um psicanalista que dizia, mais ou menos, assim: o espírito imaturo deseja morrer por uma causa, já o espírito maduro deseja viver humildemente por ela.
Não quero estar mais certa que ele, mas minhas inclinações anarquistas me impedem de acreditar nisso. E se for verdade, aceito a alcunha de imatura com gosto.
Viver por uma causa é uma atitude nobre, e assim a luta seria prolongada e os resultados podiam aparecer. Mas ter coragem de dizer: “da luta não me retiro, me atiro do alto, que me atirem no peito, mas da luta não me retiro”, pra mim é um ato heróico.
É, percebo que o pensamento é imaturo, mas sinceramente não ligo, porque uma coisa que odeio é covardia, apesar de também ser covarde, mas e daí? Posso mudar de idéia daqui a algum tempo, mas também “prefiro ser essa metamorfose ambulante”
Hoje, ainda acho que é a rebeldia e a teimosia a moverem o mundo. E ponto final.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

“Nem toda palavra é aquilo que o dicionário diz”


O coração não é o órgão oco e musculoso, centro motor da circulação do sangue, que nos humanos é tetracavitário com válvulas tricúspide e mitral, átrios e ventrículos, artérias saindo e veias entrando. Nem o conjunto das faculdades afetivas ou sentimento, amor ou afeição completa, estes todos são mais fundos porque todos têm coração, mas nem todos possuem essas capacidades. Não é nada disso. O coração é um tambor que faz o sangue dançar.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Como posso falar da lua, tão brilhante e cheia no céu, se aqui na terra impera a lama?

Não sei e não quero imaginar como é acordar com a sua casa desabando sobre você. Tentar sair e salvar seus familiares, mas não conseguir e ver seus filhos, netos, avós, pais morrerem, soterrados ou arrastados. Ir ao IML ou a um caminhão frigorífico reconhecer alguém no meio de tantos mortos. Voltar para o lugar onde estaria sua casa, o porto de sua vida, e não encontrá-la. Ver tudo o que lutou tanto para conseguir, até suas memórias em fotos, destruído. Sofrer tantas necessidades. Passar o dia com a mesma frase na cabeça: “Acabou tudo”, e infelizmente não ser exagero. Ser atormentado pela pergunta: “Como recomeçar?”. E ainda ter que ver desgraçados se aproveitando da situação para ganhar dinheiro, de todas as formas.
Não sei e não quero imaginar como é passar pelos estágios dessa dor, tão grande que provoca a vontade de ter morrido para não precisar testemunhar o que restou.
Lama.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Mais um ano novo. E, mais rápido do que todos esperam, o novo fica velho. De novo.
Por isso prefiro o pessimismo à frustração.
Mas a poesia fala mais:
Mudaram as estações, nada mudou
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Está tudo assim tão diferente
Mas nada vai conseguir mudar o que ficou
Esperança: as lentilhas podem dar a sorte, os pulos com pé direito podem funcionar, as sementes de romã também. Tudo novo. De novo.