quarta-feira, 25 de maio de 2011


“Existirá vida antes da morte?”
Ah como eu queria ter escrito essa frase! Mas já que não fui eu, o autor Px Silveira merece todo o crédito.

À minha paixão platônica

Você não sabe que eu te distinguo no meio de uma multidão.
Que te sigo com os olhos enquanto puder, mas quase não consigo encará-lo de frente.
Você não faz idéia do quanto fico embaraçada com você por perto, mas, mesmo assim, quero muito a sua presença. Eu sei os dias e locais em que posso te encontrar, e te procuro em todos eles.
Você não sabe que sinto inveja das pessoas com quem conversa, das pessoas que tem a intimidade que não tenho.
Você não sabe o que eu penso de você, dos sonhos que já tive quando tenho a ilusão de que você sente o mesmo por mim. E como me iludo, um aceno, um sorriso já basta para a utopia começar, e nela tudo se encaixa.
Nós temos muita coisa em comum que ainda não tivemos a chance de descobrir.
Mas você não sabe de nada disso.
Nem nunca saberá por mim.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Coisas da noite

Como eu não posto nada há nem sei mais quantos dias, vocês devem estar se perguntando: por quê? (na verdade devem estar pouco se importando, mas posso viver com essa minha ilusão) O fato é que minha inspiração tem sido parca e infrutífera.
“Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.”
Eu só não tenho o conhaque, Carlos Drummond de Andrade, mas tenho “Moonlight Sonata” do Beethoven, e a lua ... ah a Lua. Está linda, cheia, claríssima, fazendo jus à alcunha de “sol de prata”.
Não sei se vocês perceberam, mas eu adoro a Lua, e fiz um punhado de textos sobre ela (se conseguisse, faria versos porque o que eu sinto é quase uma paixão platônica).
Confesso que em muitas noites me esqueço, nem olho para o céu. Mas como é bom estar distraída e de repente, não mais que de repente, ver a sua figura, tão marcante e singela, entre os prédios. Nessas horas, me sinto a única no mundo a vê-la.
Bom, como recompensa aos que chegaram até aqui nesse texto completamente improdutivo, um testículo:

Tem gente que diz que olhando para as estrelas se olha para o passado, por conta dos milhares de anos luz nos separando. Fico olhando para elas agora (quer dizer, para aquelas poucas que se aventuram no céu urbano), e imaginando de onde elas vieram.
Só pensava que elas vieram do big bang, pronto, sem mais discução porque já é difícil de aceitar que tudo veio de um grão extremamente denso que explodiu. Mas agora já existem teorias sobre antes do big bang, um big crunch, outro universo, cordas vibrantes que compõem tudo...Todas essas teorias são serias, mas parecem muito alucinógenas pra mim, muito surreal. Não consigo aceitar que a possibilidade de um hipopótamo aparecer aqui e agora existe.
Mas, olhando para o céu não importa de onde ela veio, é um trabalho bem feito.

sábado, 30 de abril de 2011

O casamento perfeito, pra mim, é em Las Vegas. Aqueles dos filmes mesmo. É só nesses casamentos que a noiva e o noivo vestem o que querem, ou até não vestem; entram com a música que querem, até Forever do Kiss; e não precisam se preocupar com o que os outros vão dizer,vão sempre achar alguma coisa para reclamar.
Em Las Vegas, não tem esse tanto de ensaios para que tudo tenha aquela perfeição plástica, robotizada, o medo de errar pairando no ar. De vez em quando tem ensaio até para o sorriso, ah, e tem a hora certa dele também.
Tudo para que a filmagem e as fotos fiquem lindas para mostrar para os outros depois, porque a lembrança fica na memória, não tem como esquecer um dia desses. Claro que em Las Vegas tem como, então fotos são necessárias para comprovar tudo, nesses casos.
Enfim Las Vegas é tudo de bom, é o único lugar onde você tem liberdade e privacidade no seu casamento. E se não der certo, ah, foi em Las Vegas mesmo.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O que mais diferencia o humano dos outros animais é a comunicação. Mas o homem é um animal tão complexo que se vê no direito de desdenhar dessa capacidade. Além de nunca querer escutar o outro, ainda faz músicas (músicas! que deveriam ser uma forma de expressão falada de sentimentos!) com umas 5 frases, quando não menos. E exemplos têm demais, os “vô não”, “tchubirabirons”, “foge mulher maravilha” que o digam.
Sou urbana. Nasci, cresci, vivo e gosto da cidade e das suas facilidades. Mas, por uma grande ironia do destino, também sou bucólica.
Vou explicar mais ou menos o que é para quem não saber não precisar procurar no dicionário e acabar com toda a poesia da palavra, mas voltemos ao bucólico porque esse assunto de dicionário é à parte. Bem, bucólico é aquele sentimento de amor ao campo e à sua vida simples. (Explicado?).
A questão é que adoro uma bela paisagem verde, aquele mar de arvores sossegado. Se tiver um rio então! Mas também gosto de uma boa balada com o Tum Tum na cabeçae show pirotécnico. É, eu sei, a contradição em pessoa.
Mas vocês conhecem a paisagem da cidade e vão me entender um pouco se gostarem de um canto sossegado com uma boa sombra e uma brisa mansa. Se fosse numa fazenda seria sombra de mangueira (não há sombra melhor que de uma mangueira!).
Numa fazenda ainda pode ter o burburinho de água. Até a chuva no campo tem outra cara, bem mais natural e bonita porque não tem alagamentos, engarrafamentos, deslizamentos e outros -mentos.
No campo tem os passarinhos e borboletas pousando cá e lá. E à noite tem o barulho dos grilos, que parece o do cintilar das estrelas. Ah,”não há, oh gente, oh não, luar como este do sertão”, parece mesmo um Sol de prata.
Até de musica caipira eu gosto. Veja bem: caipira, não essa urbaneja com dor de cotovelo. “È que a viola fala auto no meu peito manso”.
Sei que o campo não é meu lugar nativo, nem me sinto assim nele, mas o destino já pregou sua peça e me fez ter um pouco de arcadismo nas veias.

domingo, 10 de abril de 2011

Eu não sinto nada. Me desculpe, não tem como sentir, não consigo. Tudo parece tão distante. É sempre a mesma ordem: algo trágico e algo cômico se revezam, para relaxar o clima, afinal é hora do almoço ou do jantar, tanto faz. “A gente se acostuma”, não sei se não devemos. Assisto desastres atrás de desastres como propagandas em cima de propagandas, sempre algo desagradável. A emoção expressada lá é falta de profissionalismo, e a minha não sentida?
É tratar de esperar a próxima demonstração da miséria humana. Na verdade nem é preciso esperar, elas acontecem o tempo todo. Mas o privilegio de cair na boca do povo é de poucas delas, que são escolhidas com base em critérios que não faço questão de conhecer. Não faz uma real diferença na minha vida, nem “tudo o que a antena capta meu coração captura”.
É ver, no final do ano, uma retrospectiva qualquer, parar e falar: “Isso aconteceu esse ano? Parece que faz tanto tempo.”. E no final desse mesmo programa ter a nítida impressão que o mundo vai acabar por causa de tudo que está acontecendo. Mas tudo se repete ou se agrava no Feliz Ano Novo.