domingo, 29 de abril de 2012


A vida como nós a praticamos não é bela ou poética.
É egoísta demais, corrida demais e emocionada de menos.
A arte é o que liberta, o que diria o poeta, o ator, o artista.
É uma insuflação de humanidade nos pulmões de quem consegue percebê-la.
A arte não se apresenta para quem não repara nela.
Mas as responsabilidades supostamente nos tiram toda a atenção.

domingo, 8 de abril de 2012


E eis que ressurjo das cinzas! Não porque seja Páscoa, mas porque só agora tive tempo de encorajar um texto a sair do Esboço, esse limbo literário. Enfim, o resultado é este texto. Espero que gostem, meus caros leitores.



Sabe, eu adoro tardes de chuva. Mas elas sempre me lembram de cenas que nunca vivi: algo quente para se beber ao lado, um sofá, muitas almofadas, um abraço e uma lareira.
Sim, uma lareira, algo praticamente impossível de se ter aqui no Brasil. Fazer o que se meus sonhos românticos são todos baseados em livros e filmes estrangeiros?
Mas continuo adorando as tardes chuvosas, mesmo sem a lareira, sem as almofadas, sem o seu abraço. Nessas tardes eu sonho, admirando a água que cai ao sabor do vento e imaginando que talvez final o arco-íris seja no seu coração. 

sexta-feira, 23 de março de 2012


Sou arredia, rebelde, bicho do mato mesmo. Fujo de qualquer relação mais que muitos de vocês homens. Pra você ter noção não gosto de vínculos nem com cabeleireiros.
Quero ser livre, para ser presa por eu mesma, nas armadilhas e fantasias que crio.
Mas você chegou devagarzinho, e quando fui ver já estava perto demais.
Porém me deixou fugir, embora não sozinha porque fez questão de morar na minha mente.
E agora sou eu quem volta, te pedindo para me prender no seu abraço.
Entendo que tudo vai terminar, mais cedo ou mais tarde, mas quero ao menos começar.

domingo, 4 de março de 2012


Está faltando alguma coisa.
Essa é a sensação que tenho ao olhar meu quarto cheio de uma bagunça que já não sei quando começou já quase alheio á mim mesma.
É isso o que eu sinto quando olho ao redor, esteja onde eu estiver.
E se tento fazer alguma coisa, qualquer coisa, essa constatação do vazio de algo que não sei o que é me oprime e incomoda.
Não sabendo lidar de outra forma, tento escrever sobre isso, mas por mais que eu leia o texto que resulta de horas desse esforço, falta alguma coisa.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Sonho Carnavalesco


Era um bloco de rua comum, onde você podia encontrar coelhas, mágicos, freiras, palhaços... Todos juntos na mesma animação.
Nele, uma fada se destacou para o único olho descoberto de um pirata que passava por ali. Ele se aproximou: “Eu acredito em fadas agora que te vi.”.
Ela sorriu: “Não estou vestida de fada!”. Ele agora sim percebeu que ela não tinha asas, estava usando um simples vestido branco que contrastava com sua pele morena e uma máscara colorida sobre os olhos. “Minha fantasia chama-se: ninfa da espuma das ondas quebrando na praia” e riu.
E o pirata, também sorrindo: “Como não percebi antes? Aliás, uma fantasia muito carnavalesca.”
E assim, simples como o riso, uma certa intimidade se instalou entre eles, e muito pouco tempo depois os dois estavam aos beijos.
Num arroubo de prudência ele apenas perguntou: “Você não é como as sereias que encantam os marinheiros para afogá-los depois, é?”? Porque a prudência é algo muito racional para carnavais.
“Geralmente esse é o meu trabalho, mas estamos em feriado de carnaval também.”.
Conversaram pouco e sobre nada importante. O mundo naqueles instantes se resumia à música tocando, à alegria em volta, um ao outro. Curtiam para esquecer e para lembrar-se disso depois.
E o tempo passou com o bloco, sem que ninguém o notasse. Até que restaram poucas pessoas e a música já não era contínua. A ninfa e seu pirata estavam sentados num banco de praça, corpos entregues aos braços um do outro.
Ela disse que tinha que ir, ele pediu que ficasse, “Não posso” foi a resposta.
“Espere! Qual é o seu nome?”
“Ninfa das ondas... eu já me esqueci”, rindo.
 Um longo beijo de despedida, ela se levanta e vai saindo.
“Mas nem vi seu rosto!”
“Melhor assim. As fantasias não sobrevivem na realidade lá fora.”
“Mas talvez a gente possa se encontrar.”
“Quem sabe em outro carnaval, com outras fantasias.”
E em uma atmosfera quase sonolenta, o pirata ficou olhando a sua ninfa do mar ir embora, olhando para ele, macia como uma calma onda voltando ao oceano.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

“O poema da vida é escrito com três versos: o que foi, o que não foi e o que deixou de ser”. Foi o que disse um sábio. Essa verdade apareceu para mim como uma lua cheia de repente vista entre os prédios e com a sensação de eu ser a única a observá-la.
Depois de escrevê-la, reparei que não havia o “o que será”. Mas esse verso realmente não existe, o futuro não foi escrito, porém com esses três versos ele já foi determinado. Obrigando as pessoas a conviver e assumir as escolhas que fizeram, existe algo mais difícil?
Parece simples e lógico quando se fala, mas a ação já é muito mais complicada.
O “o que deixou de ser”, o que poderia ter sido é o que me atormenta, principalmente quando percebo que a escolha foi errada. Sonhamos então que a outra seria a certa, um sonho completamente inatingível, louco e inútil.
É por isso que prefiro acreditar no destino, tiro a responsabilidade que eu sei que é minha.  Mas a culpa não me deixa.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Detalhes Urbanos V




Eu me encanto com detalhes, e fico feliz que artistas queiram espalhá-los pela cidade.
(1° Avenida, em frente a Faculdade de Farmácia da UFG, Setor Universitário)