Nesta noite o céu está limpo. E me lembro de van Gogh no tom
de azul escuro e na singela beleza. Noite estrelada, só faltou o vento. As
nuvens não quiseram atrapalhar e as estrelas ficaram livres pra cintilar (quase
posso ouvi-las, como Bilac). Nem mesmo a Lua quis competir e ficou em um fino
minguante, sorrindo seu largo sorriso apenas.
sexta-feira, 22 de junho de 2012
terça-feira, 12 de junho de 2012
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Quero anunciar em todos os jornais: Preciso de alguém!
Alguém comum que sinceramente acredito estar por aí e que vá
cruzar o meu caminho um dia.
Só espero que nesse dia, ele não leve tão a sério a violência
a que recorro quando me sinto desconfortavelmente intimidada. E é como ele deve
me deixar, porque de outro modo eu não me deixo levar por ninguém.
Mas me conquistar é muito fácil. Basta falar algo bonito, ou
poético, ou engraçado, ou tudo isso junto e ter os olhos brilhantes de uma
alegria que não sei de onde vem e me fazer imaginar que seja por me ver.
Também não quero um personagem saído direto de um filme romântico.
É claro que um pouco de romantismo sempre me comove. Mas também não precisa
reparar no cheiro do meu cabelo ou da minha pele ou me dar flores a todo
momento.
Prometo também que não vou fazer pieguices extremas, como
demorar horas para desligar o telefone ou fazer escandalosas declarações de
amor ou de ciúme. E também não queria que fossem feitas comigo.
Quero que esse alguém brigue quando estiver agindo como uma
idiota, que discorde das minhas opiniões até que eu fique zangada porque meus
argumentos acabaram, que implique com a minha mania de reclamar de tudo. Mas também
que me fizesse rir com as mais bobas piadas.
Queria que esse alguém não pedisse um beijo, mas sentisse o
momento de me beijar ou que os roubasse aos montes.
Que me surpreendesse.
Que soubesse quando estou prestes a explodir em lágrimas e,
nesse momento, me abraçasse mudamente.
Que sentisse uma forte ligação partindo das pupilas
dilatadas e das batidas aceleradas do coração, formada de algo que deve ser o sentimento
mais forte do universo.
Mas a verdade mesmo é que não precisa de nada disso. Esse alguém
precisaria apenas um abraço aconchegante e um certo calor na voz ao dizer o meu
nome.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Ele
morreu.
Foi
morto.
Num
domingo que tinha tudo para ter sido tranquilo.
Tiros
no peito e na cabeça.
Foi
morto. É difícil acreditar.
Deixa mulher, dois filhos, familiares em desespero e
revolta, e uma região inteira curiosa e comovida.
Deixou uma lata de cerveja pela metade sobre o carro, que
ainda está lá, onde ele deixou.
Um passa e diz: “Para morrer basta estar vivo” e ele tem
razão, outros clamam por justiça, outros tentam ajudar e atrapalham, outros
ficam de um lado para o outro querendo ver, recolhendo e espalhando boatos.
Outros choram.
E enquanto ele jaz morto, sem ter noção de nada disso,
quantos ainda estão bebendo e se divertindo? Quantos estão reclamando da
segunda feira tão próxima? Quantos estão nascendo e quantos mais estão
morrendo?
Seu sangue vai secar na calçada fria, alguém vai limpá-lo
depois, vai desaparecer. A vida vai seguir para todos, menos para ele, que
ainda está onde caiu.
E a lata de cerveja continua no mesmo lugar, como um objeto
cenograficamente colocado como prova da tragédia.
sábado, 5 de maio de 2012
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Não, não vou te dar meu telefone, nem vou garantir que o
nome que falei seja o meu. Também não me diga mais nada sobre você porque tenho
uma certa mania de Cinderela de achar que vou encontrar meu príncipe encantado
em uma festa. Portanto, me fale algo que te faça desprezível para que eu não possa
sonhar com o seu vulto contra a luz dançante. Porque, hoje, nem eu nem você somos
nós mesmos, ou somos o que queríamos ser, deixo essa questão à psicanálise.
Hoje eu estou aqui para esquecer e dançar
conforme a música. O que eu quero mesmo é isso: beijos livres, palavras bonitas
soltas com vapores alcoólicos. Amanhã a realidade recomeça: eu não vou me lembrar
de seu rosto e você não saberá meu nome. Posso até estar perdendo uma grande
oportunidade, mas não será esta noite que vou pagar pra ver. domingo, 29 de abril de 2012
A vida como nós a praticamos não é
bela ou poética.
É egoísta demais, corrida demais e
emocionada de menos.
A arte é o que liberta, o que diria o
poeta, o ator, o artista.
É uma insuflação de humanidade nos
pulmões de quem consegue percebê-la.
A arte não se apresenta para quem não
repara nela.
Mas as responsabilidades supostamente
nos tiram toda a atenção.
domingo, 8 de abril de 2012
E eis que ressurjo das cinzas! Não porque seja Páscoa, mas porque só
agora tive tempo de encorajar um texto a sair do Esboço, esse limbo literário. Enfim,
o resultado é este texto. Espero que gostem, meus caros leitores.
Sabe,
eu adoro tardes de chuva. Mas elas sempre me lembram de cenas que nunca vivi:
algo quente para se beber ao lado, um sofá, muitas almofadas, um abraço e uma
lareira.
Sim,
uma lareira, algo praticamente impossível de se ter aqui no Brasil. Fazer o que
se meus sonhos românticos são todos baseados em livros e filmes estrangeiros?
Mas
continuo adorando as tardes chuvosas, mesmo sem a lareira, sem as almofadas,
sem o seu abraço. Nessas tardes eu sonho, admirando a água que cai ao sabor do
vento e imaginando que talvez final o arco-íris seja no seu coração.
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