domingo, 16 de setembro de 2012


Eu gostaria de saber o que dizer em situações tão complicadas quanto separações, seja entre enamorados, seja a morte, a mais definitiva de todas.
Queria poder dar palavras capazes de suavizar a dor sentida. Mas todas elas me parecem fugir nessas ocasiões ou as que ficam me parecem vazias e frias.
Também ainda não decidi o que gostaria de ouvir se fosse meu o caso.
Na verdade, minha decisão é instintiva: não quero ouvir nada. Prefiro poupar os outros de tão difícil tarefa que provavelmente não resultará em nada ou talvez machuque mais, mesmo não sendo essa a intenção.
Só acredito no poder do abraço. Um abraço sincero, forte, irradiando carinho. A única coisa que consigo oferecer a você.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Na época da seca, a gente reza pra que a nuvem cinza de poeira seja de chuva.

Perdi a voz. Ou a vontade de falar.
É que descobri que não sou. E não consigo me definir.
O infinito é encantador demais, porém não tem fronteiras e fico disforme, indefinida no tempo e no espaço.
Na verdade tudo o que eu quero mesmo é olhar para o teto, um teto vazio e simples, e ele absorver todo o meu pensamento.
Fugir? Deve ser isso mesmo. Mas acho melhor a palavra sumir.
O que aconteceu comigo? Não sei.
São aqueles versos de Cecília de Meireles: “Tem-se a impressão de estar bem doente, muito doente/ De um mal sem dor que não se saiba nem resuma”.
  

quarta-feira, 1 de agosto de 2012


Eu sei que um dia, fatalmente, você vai me fazer chorar. Nem eu e muito menos você tem o poder de evitar que isso aconteça. A culpa pode nem ser sua, é que ás vezes a única reação que sei ter são as lágrimas.
Mas quando isso acontecer e a culpa for sua, por favor, se desculpe. Seu orgulho pode te bloquear, mas contorne-o. Eu talvez não queira ouvir, mas insista.
Porque se essa nossa questão não se resolver o resultado será o ressentimento. E esse sentimento tão amargo e negro bate e tranca uma porta no coração da gente. A porta não se abre mais e não se sabe quantas mais existem. E o ressentimento tambem corrói e despedaça aquele sentimento guardado como ouro até que ele acaba e morre tristemente.

quarta-feira, 27 de junho de 2012


Você pode me chamar de vadia, é isso o que eu sou. Eu uso batom vermelho, sombras de olho extravagantes, saias que cubram o mínimo possível e apertem ao máximo, decotes profundos e saio pro aí rebolando e descendo até o chão.
Sou a vadia nomeada pelos homens hipócritas que adoram me ver assim, mas me condenam  por excitá-los. Até mesmo as mulheres me desaprovam, mas a elas eu perdoo porque é apenas o machismo que nos foi implantado dizendo que não podemos mostrar nosso corpo abertamente, usá-lo como quisermos.
Porque os homens se orgulham de seu corpo e se vangloriam dele para quem quiser ouvir. E para manter a sua superioridade, ameaçada pelo levante feminino, criou o truque de só “respeitar” as mulheres que suprimissem o físico que as tornava mulheres, taxando as que assim não faziam de vadias, como eu.
Hoje, o feminismo está realmente ultrapassado, mas não em sua luta e sim em suas ideias de que a mulher não deve ser reconhecida pelo SEU PRÓPRIO CORPO. O feminismo que queimou sutiãs para que nossos seios fossem livres e criou a minissaia para que nosso corpo fosse mostrado, hoje despreza tudo isso.
Mas, mulheres, há uma verdade da qual não podemos fugir: nós temos peito e temos bunda! Por que nos envergonharmos deles? Além da alma há o corpo feminino.
Não querer ser usada como um pedaço de carne se justifica, mas menosprezar essa carne que faz parte do seu SER é negar a sua própria existência.
E existimos pelo nosso corpo, que é carnal e que é belo, de qualquer forma.
Não, não sou uma cópia do homem feita de uma costela qualquer, tenho corpo de mulher.
Eu sou a vadia. A culpada pelo preconceito, pela desigualdade, pela violência.
Eu sou Mulher, assumida.

sexta-feira, 22 de junho de 2012


Nesta noite o céu está limpo. E me lembro de van Gogh no tom de azul escuro e na singela beleza. Noite estrelada, só faltou o vento. As nuvens não quiseram atrapalhar e as estrelas ficaram livres pra cintilar (quase posso ouvi-las, como Bilac). Nem mesmo a Lua quis competir e ficou em um fino minguante, sorrindo seu largo sorriso apenas.

terça-feira, 12 de junho de 2012

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Quero anunciar em todos os jornais: Preciso de alguém!
Alguém comum que sinceramente acredito estar por aí e que vá cruzar o meu caminho um dia.
Só espero que nesse dia, ele não leve tão a sério a violência a que recorro quando me sinto desconfortavelmente intimidada. E é como ele deve me deixar, porque de outro modo eu não me deixo levar por ninguém.
Mas me conquistar é muito fácil. Basta falar algo bonito, ou poético, ou engraçado, ou tudo isso junto e ter os olhos brilhantes de uma alegria que não sei de onde vem e me fazer imaginar que seja por me ver.
Também não quero um personagem saído direto de um filme romântico. É claro que um pouco de romantismo sempre me comove. Mas também não precisa reparar no cheiro do meu cabelo ou da minha pele ou me dar flores a todo momento.
Prometo também que não vou fazer pieguices extremas, como demorar horas para desligar o telefone ou fazer escandalosas declarações de amor ou de ciúme. E também não queria que fossem feitas comigo.
Quero que esse alguém brigue quando estiver agindo como uma idiota, que discorde das minhas opiniões até que eu fique zangada porque meus argumentos acabaram, que implique com a minha mania de reclamar de tudo. Mas também que me fizesse rir com as mais bobas piadas.
Queria que esse alguém não pedisse um beijo, mas sentisse o momento de me beijar ou que os roubasse aos montes.
Que me surpreendesse.
Que soubesse quando estou prestes a explodir em lágrimas e, nesse momento, me abraçasse mudamente.
Que sentisse uma forte ligação partindo das pupilas dilatadas e das batidas aceleradas do coração, formada de algo que deve ser o sentimento mais forte do universo.
Mas a verdade mesmo é que não precisa de nada disso. Esse alguém precisaria apenas um abraço aconchegante e um certo calor na voz ao dizer o meu nome.