sábado, 15 de dezembro de 2012


Aquela que caminha na vazia rua
Ignorando a sorridente lua
Com o andar arrasado
O olhar fixo
O pensar parado
Sou eu 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012


Alguém me disse certa vez que às vezes precisamos parar a vida um pouco pra viver.
Não posso pensar em um paradoxo mais real.
É que ando tendo a impressão de que vivo em função dos meus finais de semana, e para eles há tantos planos, há tantas vontades, que acaba imperando a de não fazer nada, que é forte demais.
É que minha semana é uma maratona onde mantenho velocidade alta até quinta feira, esse dia é cruel, quando quase desmonto. Mas atravesso a linha de chegada na sexta com aquela “sensação de que a vida passa assim como um tufão”.
Eu tenho plena convicção que nunca vou ter tempo, aquele tempo que a gente sempre deseja para se fazer o que sempre sonhou. Tempo é a gente que cria.
E criei esse textinho inútil em uns minutinhos que consegui roubar de mim.

domingo, 16 de setembro de 2012


Eu gostaria de saber o que dizer em situações tão complicadas quanto separações, seja entre enamorados, seja a morte, a mais definitiva de todas.
Queria poder dar palavras capazes de suavizar a dor sentida. Mas todas elas me parecem fugir nessas ocasiões ou as que ficam me parecem vazias e frias.
Também ainda não decidi o que gostaria de ouvir se fosse meu o caso.
Na verdade, minha decisão é instintiva: não quero ouvir nada. Prefiro poupar os outros de tão difícil tarefa que provavelmente não resultará em nada ou talvez machuque mais, mesmo não sendo essa a intenção.
Só acredito no poder do abraço. Um abraço sincero, forte, irradiando carinho. A única coisa que consigo oferecer a você.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Na época da seca, a gente reza pra que a nuvem cinza de poeira seja de chuva.

Perdi a voz. Ou a vontade de falar.
É que descobri que não sou. E não consigo me definir.
O infinito é encantador demais, porém não tem fronteiras e fico disforme, indefinida no tempo e no espaço.
Na verdade tudo o que eu quero mesmo é olhar para o teto, um teto vazio e simples, e ele absorver todo o meu pensamento.
Fugir? Deve ser isso mesmo. Mas acho melhor a palavra sumir.
O que aconteceu comigo? Não sei.
São aqueles versos de Cecília de Meireles: “Tem-se a impressão de estar bem doente, muito doente/ De um mal sem dor que não se saiba nem resuma”.
  

quarta-feira, 1 de agosto de 2012


Eu sei que um dia, fatalmente, você vai me fazer chorar. Nem eu e muito menos você tem o poder de evitar que isso aconteça. A culpa pode nem ser sua, é que ás vezes a única reação que sei ter são as lágrimas.
Mas quando isso acontecer e a culpa for sua, por favor, se desculpe. Seu orgulho pode te bloquear, mas contorne-o. Eu talvez não queira ouvir, mas insista.
Porque se essa nossa questão não se resolver o resultado será o ressentimento. E esse sentimento tão amargo e negro bate e tranca uma porta no coração da gente. A porta não se abre mais e não se sabe quantas mais existem. E o ressentimento tambem corrói e despedaça aquele sentimento guardado como ouro até que ele acaba e morre tristemente.

quarta-feira, 27 de junho de 2012


Você pode me chamar de vadia, é isso o que eu sou. Eu uso batom vermelho, sombras de olho extravagantes, saias que cubram o mínimo possível e apertem ao máximo, decotes profundos e saio pro aí rebolando e descendo até o chão.
Sou a vadia nomeada pelos homens hipócritas que adoram me ver assim, mas me condenam  por excitá-los. Até mesmo as mulheres me desaprovam, mas a elas eu perdoo porque é apenas o machismo que nos foi implantado dizendo que não podemos mostrar nosso corpo abertamente, usá-lo como quisermos.
Porque os homens se orgulham de seu corpo e se vangloriam dele para quem quiser ouvir. E para manter a sua superioridade, ameaçada pelo levante feminino, criou o truque de só “respeitar” as mulheres que suprimissem o físico que as tornava mulheres, taxando as que assim não faziam de vadias, como eu.
Hoje, o feminismo está realmente ultrapassado, mas não em sua luta e sim em suas ideias de que a mulher não deve ser reconhecida pelo SEU PRÓPRIO CORPO. O feminismo que queimou sutiãs para que nossos seios fossem livres e criou a minissaia para que nosso corpo fosse mostrado, hoje despreza tudo isso.
Mas, mulheres, há uma verdade da qual não podemos fugir: nós temos peito e temos bunda! Por que nos envergonharmos deles? Além da alma há o corpo feminino.
Não querer ser usada como um pedaço de carne se justifica, mas menosprezar essa carne que faz parte do seu SER é negar a sua própria existência.
E existimos pelo nosso corpo, que é carnal e que é belo, de qualquer forma.
Não, não sou uma cópia do homem feita de uma costela qualquer, tenho corpo de mulher.
Eu sou a vadia. A culpada pelo preconceito, pela desigualdade, pela violência.
Eu sou Mulher, assumida.