Ele só sabia que existia.
E existia porque adquiria nutrientes, através da alimentação, que seriam metabolizados e transformados em energia, e esta seria usada nas suas atividades diárias, e seu dia era cheio.
E prosseguia com seu órgão musculoso e tetracavitário bombeando sangue para todo o seu corpo. Tinha também emoções, reações do sistema límbico na face medial do cérebro.
Até que um dia ele viu uns olhos. Olhos completamente normais, não precisavam usar óculos e a íris nem tinha cor rara ou clara.
Mas ele viu algo mais. Havia uma luz, que não vinha do exterior. Uma luz que acendeu a luz dos olhos dele.
E assim, nesse momento de encanta-mente, um ser perfeitamente biológico se tornou um ser humano.
sábado, 2 de julho de 2011
sexta-feira, 10 de junho de 2011

Por alguns instantes, alguns ínfimos segundos, eu amei você. Amei, com a intensidade da primeira e única vez, o seu semblante desconhecido. Este amor durou a eternidade do instante que passa. O instante que passou por mim, junto com você, caminhando para onde eu não sei. E depois, já não adiantava olhar para trás. Este amor não podia durar mais.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
25 de maio: Dia da Toalha
"Não entre em pânico!"
Se você não tem ideia do que saja Guia dos Mochileiros da Galáxia isso não vai significar nada para você. Mas hoje é um dia de homenagem a Douglas Adams, o escritor dessa genial trilogia de cinco livros (assim mesmo). E deixo aqui um informativo sobre o valor da toalha, quem sabe outros alguéns também não se animam a ler.
“A toalha é um dos objetos mais úteis para um mochileiro interestelar. Em parte devido a seu valor prático: você pode usar a toalha como agasalho quando atravessar as frias luas de Beta de Jagla; pode deitar-se sobre ela nas reluzentes praias de areia marmórea de Santragino V, respirando os inebriantes vapores marítimos; você pode dormir debaixo dela sob as estrelas que brilham avermelhadas no mundo desértico de Kakrafoon;
Pode usá-la como vela para descer numa minijangada as águas lentas do rio Moth;
Pode umedecê-la e utilizá-la para lutar em combate corpo a corpo; enrolá-la em torno da cabeça para proteger-se de emanações tóxicas ou para evitar o olhar da Terrível Besta Voraz de Traal (um animal estonteantemente burro, que acha que, se você não pode vê-lo, ele também não pode ver você – estúpido feito uma anta, mas muito, muito voraz);
Você pode agitar a toalha em situações de emergência para pedir socorro;
E naturalmente pode usá-la para enxugar-se com ela se ainda estiver razoavelmente limpa.
Porém o mais importante é o imenso valor psicológico da toalha. Por algum motivo, quando um estrito (isto é, um não-mochileiro) descobre que um mochileiro tem uma toalha, ele automaticamente conclui que ele tem também escova de dentes, esponja, sabonete, lata de biscoitos, garrafinha de aguardente, bússola, mapa, barbante, repelente, capa de chuva, traje espacial, etc., etc.
Além disso, o estrito terá prazer em emprestar ao mochileiro qualquer um desses objetos, ou muitos outros, que o mochileiro por acaso tenha “acidentalmente perdido”. O que o estrito vai pensar é que, se um sujeito é capaz de rodar por toda a Galáxia, acampar, pedir carona, lutar contra terríveis obstáculos, dar a volta por cima e ainda assim saber onde está sua toalha, esse sujeito claramente merece respeito.”
Se você não tem ideia do que saja Guia dos Mochileiros da Galáxia isso não vai significar nada para você. Mas hoje é um dia de homenagem a Douglas Adams, o escritor dessa genial trilogia de cinco livros (assim mesmo). E deixo aqui um informativo sobre o valor da toalha, quem sabe outros alguéns também não se animam a ler.
“A toalha é um dos objetos mais úteis para um mochileiro interestelar. Em parte devido a seu valor prático: você pode usar a toalha como agasalho quando atravessar as frias luas de Beta de Jagla; pode deitar-se sobre ela nas reluzentes praias de areia marmórea de Santragino V, respirando os inebriantes vapores marítimos; você pode dormir debaixo dela sob as estrelas que brilham avermelhadas no mundo desértico de Kakrafoon;
Pode usá-la como vela para descer numa minijangada as águas lentas do rio Moth;
Pode umedecê-la e utilizá-la para lutar em combate corpo a corpo; enrolá-la em torno da cabeça para proteger-se de emanações tóxicas ou para evitar o olhar da Terrível Besta Voraz de Traal (um animal estonteantemente burro, que acha que, se você não pode vê-lo, ele também não pode ver você – estúpido feito uma anta, mas muito, muito voraz);
Você pode agitar a toalha em situações de emergência para pedir socorro;
E naturalmente pode usá-la para enxugar-se com ela se ainda estiver razoavelmente limpa.
Porém o mais importante é o imenso valor psicológico da toalha. Por algum motivo, quando um estrito (isto é, um não-mochileiro) descobre que um mochileiro tem uma toalha, ele automaticamente conclui que ele tem também escova de dentes, esponja, sabonete, lata de biscoitos, garrafinha de aguardente, bússola, mapa, barbante, repelente, capa de chuva, traje espacial, etc., etc.
Além disso, o estrito terá prazer em emprestar ao mochileiro qualquer um desses objetos, ou muitos outros, que o mochileiro por acaso tenha “acidentalmente perdido”. O que o estrito vai pensar é que, se um sujeito é capaz de rodar por toda a Galáxia, acampar, pedir carona, lutar contra terríveis obstáculos, dar a volta por cima e ainda assim saber onde está sua toalha, esse sujeito claramente merece respeito.”
quarta-feira, 25 de maio de 2011
À minha paixão platônica
Você não sabe que eu te distinguo no meio de uma multidão.
Que te sigo com os olhos enquanto puder, mas quase não consigo encará-lo de frente.
Você não faz idéia do quanto fico embaraçada com você por perto, mas, mesmo assim, quero muito a sua presença. Eu sei os dias e locais em que posso te encontrar, e te procuro em todos eles.
Você não sabe que sinto inveja das pessoas com quem conversa, das pessoas que tem a intimidade que não tenho.
Você não sabe o que eu penso de você, dos sonhos que já tive quando tenho a ilusão de que você sente o mesmo por mim. E como me iludo, um aceno, um sorriso já basta para a utopia começar, e nela tudo se encaixa.
Nós temos muita coisa em comum que ainda não tivemos a chance de descobrir.
Mas você não sabe de nada disso.
Nem nunca saberá por mim.
Que te sigo com os olhos enquanto puder, mas quase não consigo encará-lo de frente.
Você não faz idéia do quanto fico embaraçada com você por perto, mas, mesmo assim, quero muito a sua presença. Eu sei os dias e locais em que posso te encontrar, e te procuro em todos eles.
Você não sabe que sinto inveja das pessoas com quem conversa, das pessoas que tem a intimidade que não tenho.
Você não sabe o que eu penso de você, dos sonhos que já tive quando tenho a ilusão de que você sente o mesmo por mim. E como me iludo, um aceno, um sorriso já basta para a utopia começar, e nela tudo se encaixa.
Nós temos muita coisa em comum que ainda não tivemos a chance de descobrir.
Mas você não sabe de nada disso.
Nem nunca saberá por mim.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Coisas da noite
Como eu não posto nada há nem sei mais quantos dias, vocês devem estar se perguntando: por quê? (na verdade devem estar pouco se importando, mas posso viver com essa minha ilusão) O fato é que minha inspiração tem sido parca e infrutífera.
“Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.”
Eu só não tenho o conhaque, Carlos Drummond de Andrade, mas tenho “Moonlight Sonata” do Beethoven, e a lua ... ah a Lua. Está linda, cheia, claríssima, fazendo jus à alcunha de “sol de prata”.
Não sei se vocês perceberam, mas eu adoro a Lua, e fiz um punhado de textos sobre ela (se conseguisse, faria versos porque o que eu sinto é quase uma paixão platônica).
Confesso que em muitas noites me esqueço, nem olho para o céu. Mas como é bom estar distraída e de repente, não mais que de repente, ver a sua figura, tão marcante e singela, entre os prédios. Nessas horas, me sinto a única no mundo a vê-la.
Bom, como recompensa aos que chegaram até aqui nesse texto completamente improdutivo, um testículo:
Tem gente que diz que olhando para as estrelas se olha para o passado, por conta dos milhares de anos luz nos separando. Fico olhando para elas agora (quer dizer, para aquelas poucas que se aventuram no céu urbano), e imaginando de onde elas vieram.
Só pensava que elas vieram do big bang, pronto, sem mais discução porque já é difícil de aceitar que tudo veio de um grão extremamente denso que explodiu. Mas agora já existem teorias sobre antes do big bang, um big crunch, outro universo, cordas vibrantes que compõem tudo...Todas essas teorias são serias, mas parecem muito alucinógenas pra mim, muito surreal. Não consigo aceitar que a possibilidade de um hipopótamo aparecer aqui e agora existe.
Mas, olhando para o céu não importa de onde ela veio, é um trabalho bem feito.
“Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.”
Eu só não tenho o conhaque, Carlos Drummond de Andrade, mas tenho “Moonlight Sonata” do Beethoven, e a lua ... ah a Lua. Está linda, cheia, claríssima, fazendo jus à alcunha de “sol de prata”.
Não sei se vocês perceberam, mas eu adoro a Lua, e fiz um punhado de textos sobre ela (se conseguisse, faria versos porque o que eu sinto é quase uma paixão platônica).
Confesso que em muitas noites me esqueço, nem olho para o céu. Mas como é bom estar distraída e de repente, não mais que de repente, ver a sua figura, tão marcante e singela, entre os prédios. Nessas horas, me sinto a única no mundo a vê-la.
Bom, como recompensa aos que chegaram até aqui nesse texto completamente improdutivo, um testículo:
Tem gente que diz que olhando para as estrelas se olha para o passado, por conta dos milhares de anos luz nos separando. Fico olhando para elas agora (quer dizer, para aquelas poucas que se aventuram no céu urbano), e imaginando de onde elas vieram.
Só pensava que elas vieram do big bang, pronto, sem mais discução porque já é difícil de aceitar que tudo veio de um grão extremamente denso que explodiu. Mas agora já existem teorias sobre antes do big bang, um big crunch, outro universo, cordas vibrantes que compõem tudo...Todas essas teorias são serias, mas parecem muito alucinógenas pra mim, muito surreal. Não consigo aceitar que a possibilidade de um hipopótamo aparecer aqui e agora existe.
Mas, olhando para o céu não importa de onde ela veio, é um trabalho bem feito.
sábado, 30 de abril de 2011
O casamento perfeito, pra mim, é em Las Vegas. Aqueles dos filmes mesmo. É só nesses casamentos que a noiva e o noivo vestem o que querem, ou até não vestem; entram com a música que querem, até Forever do Kiss; e não precisam se preocupar com o que os outros vão dizer,vão sempre achar alguma coisa para reclamar.
Em Las Vegas, não tem esse tanto de ensaios para que tudo tenha aquela perfeição plástica, robotizada, o medo de errar pairando no ar. De vez em quando tem ensaio até para o sorriso, ah, e tem a hora certa dele também.
Tudo para que a filmagem e as fotos fiquem lindas para mostrar para os outros depois, porque a lembrança fica na memória, não tem como esquecer um dia desses. Claro que em Las Vegas tem como, então fotos são necessárias para comprovar tudo, nesses casos.
Enfim Las Vegas é tudo de bom, é o único lugar onde você tem liberdade e privacidade no seu casamento. E se não der certo, ah, foi em Las Vegas mesmo.
Em Las Vegas, não tem esse tanto de ensaios para que tudo tenha aquela perfeição plástica, robotizada, o medo de errar pairando no ar. De vez em quando tem ensaio até para o sorriso, ah, e tem a hora certa dele também.
Tudo para que a filmagem e as fotos fiquem lindas para mostrar para os outros depois, porque a lembrança fica na memória, não tem como esquecer um dia desses. Claro que em Las Vegas tem como, então fotos são necessárias para comprovar tudo, nesses casos.
Enfim Las Vegas é tudo de bom, é o único lugar onde você tem liberdade e privacidade no seu casamento. E se não der certo, ah, foi em Las Vegas mesmo.
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