Sou arredia, rebelde, bicho do mato mesmo. Fujo de qualquer
relação mais que muitos de vocês homens. Pra você ter noção não gosto de
vínculos nem com cabeleireiros.
Quero ser livre, para ser presa por eu mesma, nas armadilhas
e fantasias que crio.
Mas você chegou devagarzinho, e quando fui ver já estava
perto demais.
Porém me deixou fugir, embora não sozinha porque fez questão
de morar na minha mente.
E agora sou eu quem volta, te pedindo para me prender no seu
abraço.
Entendo que tudo vai terminar, mais cedo ou mais tarde, mas
quero ao menos começar.
domingo, 4 de março de 2012
Está faltando alguma coisa.
Essa é a sensação que tenho ao olhar meu quarto cheio de uma
bagunça que já não sei quando começou já quase alheio á mim mesma.
É isso o que eu sinto quando olho ao redor, esteja onde eu
estiver.
E se tento fazer alguma coisa, qualquer coisa, essa constatação
do vazio de algo que não sei o que é me oprime e incomoda.
Não sabendo lidar de outra forma, tento escrever sobre isso,
mas por mais que eu leia o texto que resulta de horas desse esforço, falta
alguma coisa.
Era um bloco de rua comum, onde você podia encontrar coelhas,
mágicos, freiras, palhaços... Todos juntos na mesma animação.
Nele, uma fada se destacou para o único olho descoberto de
um pirata que passava por ali. Ele se aproximou: “Eu acredito em fadas agora
que te vi.”.
Ela sorriu: “Não estou vestida de fada!”. Ele agora sim
percebeu que ela não tinha asas, estava usando um simples vestido branco que
contrastava com sua pele morena e uma máscara colorida sobre os olhos. “Minha
fantasia chama-se: ninfa da espuma das ondas quebrando na praia” e riu.
E o pirata, também sorrindo: “Como não percebi antes? Aliás,
uma fantasia muito carnavalesca.”
E assim, simples como o riso, uma certa intimidade se instalou
entre eles, e muito pouco tempo depois os dois estavam aos beijos.
Num arroubo de prudência ele apenas perguntou: “Você não é
como as sereias que encantam os marinheiros para afogá-los depois, é?”? Porque
a prudência é algo muito racional para carnavais.
“Geralmente esse é o meu trabalho, mas estamos em feriado de
carnaval também.”.
Conversaram pouco e sobre nada importante. O mundo naqueles
instantes se resumia à música tocando, à alegria em volta, um ao outro. Curtiam
para esquecer e para lembrar-se disso depois.
E o tempo passou com o bloco, sem que ninguém o notasse. Até
que restaram poucas pessoas e a música já não era contínua. A ninfa e seu
pirata estavam sentados num banco de praça, corpos entregues aos braços um do
outro.
Ela disse que tinha que ir, ele pediu que ficasse, “Não
posso” foi a resposta.
“Espere! Qual é o seu nome?”
“Ninfa das ondas... eu já me esqueci”, rindo.
Um longo beijo de
despedida, ela se levanta e vai saindo.
“Mas nem vi seu rosto!”
“Melhor assim. As fantasias não sobrevivem na realidade lá
fora.”
“Mas talvez a gente possa se encontrar.”
“Quem sabe em outro carnaval, com outras fantasias.”
E em uma atmosfera quase sonolenta, o pirata ficou olhando a
sua ninfa do mar ir embora, olhando para ele, macia como uma calma onda
voltando ao oceano.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
“O poema da vida é escrito com três versos: o que foi, o que
não foi e o que deixou de ser”. Foi o que disse um sábio. Essa verdade apareceu
para mim como uma lua cheia de repente vista entre os prédios e com a sensação
de eu ser a única a observá-la.
Depois de escrevê-la, reparei que não havia o “o que será”. Mas
esse verso realmente não existe, o futuro não foi escrito, porém com esses três
versos ele já foi determinado. Obrigando as pessoas a conviver e assumir as
escolhas que fizeram, existe algo mais difícil?
Parece simples e lógico quando se fala, mas a ação já é
muito mais complicada.
O “o que deixou de ser”, o que poderia ter sido é o que me
atormenta, principalmente quando percebo que a escolha foi errada. Sonhamos então
que a outra seria a certa, um sonho completamente inatingível, louco e inútil.
É por isso que
prefiro acreditar no destino, tiro a responsabilidade que eu sei que é minha. Mas a culpa não me deixa.
Eu me encanto com detalhes, e fico feliz que artistas queiram espalhá-los pela cidade.
(1° Avenida, em frente a Faculdade de Farmácia da UFG, Setor Universitário)
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Existe algo que, assim como as fadas da Terra do Nunca, precisa ser acreditada para continuar existindo: a amizade.
Se você se mostrou surpreso ou indignado com o que acabo de “dizer” é um bom sinal de que ainda há quem, assim como eu, crê nela, porque um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão e que esse sentimento não existe, e mais de uma vez.
Mas também não condeno totalmente essas pessoas, elas provavelmente já se decepcionaram e foram magoadas. E aí entra um problema ainda maior: a falta de confiança.
O que anda impedindo as pessoas de fazerem amigos de verdade é a falta de confiança nos seres humanos. Há um olhar de interesse em vantagens por todos os lugares e por isso vão aparecendo muitos outros de cuidado, que, infelizmente, depois pode se tornar egoísmo.
Os pais ensinam esse olhar a seus filhos desde pequenos, para que eles possam se proteger na vida. E vão matando a inocência prematuramente e “coleguisando” os candidatos a vaga na amizade.
Mas a vaga fica. E não suportamos vê-la vazia (quero acreditar que seja devido a uma inerente necessidade por amigos, mas pode ser apenas um processo de adaptação). Criamos então redes sociais virtuais onde podemos ter quantos amigos quisermos, ou até mesmo seguidores. Bem aventurados os que têm quem chamar de amigo fora do facebook.
Sei que a amizade não pode encontrar terreno muito fértil nesses tempos modernos, mas tenho esperança em encontrar mais pessoas que acreditam nesses seres raros (é verdade) e mágicos que são os amigos. Eu acredito.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Há algumtempo atrás dormir nao era apenas uma irritante necessidade fisiológica, e em algumas, um pouco raras, noites eu tinha insônia e odiava isso. Acreditava que o sono era o desligamento total, e não conseguia dormir porque estava pensando demais. Tentava, então, não pensar, mas se você já tentou fazer isso sabe o quanto é impossível quando se quer. Então, para resolver o meu problema, era nisso que me concentrava:
TV com chuvisco, a imagem de "nada" mais fácil que consegui captar no alto dos meus 9 anos. Mas meu cérebro logo mudava de canal, e eu tomava o controle de novo e após tanta disputa mental acabava adormecendo.
Uma bela noite, porém, deixei meu pensamento fluir sem colocar barreiras e uma história se desenvolveu. E fui criando-a à meu bel prazer até adormecer como a criança que eu era. Foi então que descobri o poder das histórias para dormir. Ninguém nunca leu para mim, então as criei, como filmes em minha cabeça. Não que elas deêm sono, mas é um bom modo de passar o tempo enquanto o sono não vem.
São histórias que nunca escrevi, nem tenho a intenção, até porque são gigantes, apenas exercitam o meu lado melodramático de escritor de novela. Mas desde então, toda noite retomo do ponto onde parei ou revisito o que já pensei, tenho umas quatro ou cinco que vou incrementando. As vezes, quando a minha realidade não está muito interessante, penso nelas até durante o dia. Ultimamente também o tempo anda escasso para elas durante a noite, porque é raro o dia em que não vou dormir apenas quando já não posso evitar o sono.
Deve ser desse meu hábito que veio o meu gosto por histórias, ou do meu goto por histórias que veio esse hábito, vai-se saber.