A vida como nós a praticamos não é
bela ou poética.
É egoísta demais, corrida demais e
emocionada de menos.
A arte é o que liberta, o que diria o
poeta, o ator, o artista.
É uma insuflação de humanidade nos
pulmões de quem consegue percebê-la.
A arte não se apresenta para quem não
repara nela.
Mas as responsabilidades supostamente
nos tiram toda a atenção.
domingo, 8 de abril de 2012
E eis que ressurjo das cinzas! Não porque seja Páscoa, mas porque só
agora tive tempo de encorajar um texto a sair do Esboço, esse limbo literário. Enfim,
o resultado é este texto. Espero que gostem, meus caros leitores.
Sabe,
eu adoro tardes de chuva. Mas elas sempre me lembram de cenas que nunca vivi:
algo quente para se beber ao lado, um sofá, muitas almofadas, um abraço e uma
lareira.
Sim,
uma lareira, algo praticamente impossível de se ter aqui no Brasil. Fazer o que
se meus sonhos românticos são todos baseados em livros e filmes estrangeiros?
Mas
continuo adorando as tardes chuvosas, mesmo sem a lareira, sem as almofadas,
sem o seu abraço. Nessas tardes eu sonho, admirando a água que cai ao sabor do
vento e imaginando que talvez final o arco-íris seja no seu coração.
sexta-feira, 23 de março de 2012
Sou arredia, rebelde, bicho do mato mesmo. Fujo de qualquer
relação mais que muitos de vocês homens. Pra você ter noção não gosto de
vínculos nem com cabeleireiros.
Quero ser livre, para ser presa por eu mesma, nas armadilhas
e fantasias que crio.
Mas você chegou devagarzinho, e quando fui ver já estava
perto demais.
Porém me deixou fugir, embora não sozinha porque fez questão
de morar na minha mente.
E agora sou eu quem volta, te pedindo para me prender no seu
abraço.
Entendo que tudo vai terminar, mais cedo ou mais tarde, mas
quero ao menos começar.
domingo, 4 de março de 2012
Está faltando alguma coisa.
Essa é a sensação que tenho ao olhar meu quarto cheio de uma
bagunça que já não sei quando começou já quase alheio á mim mesma.
É isso o que eu sinto quando olho ao redor, esteja onde eu
estiver.
E se tento fazer alguma coisa, qualquer coisa, essa constatação
do vazio de algo que não sei o que é me oprime e incomoda.
Não sabendo lidar de outra forma, tento escrever sobre isso,
mas por mais que eu leia o texto que resulta de horas desse esforço, falta
alguma coisa.
Era um bloco de rua comum, onde você podia encontrar coelhas,
mágicos, freiras, palhaços... Todos juntos na mesma animação.
Nele, uma fada se destacou para o único olho descoberto de
um pirata que passava por ali. Ele se aproximou: “Eu acredito em fadas agora
que te vi.”.
Ela sorriu: “Não estou vestida de fada!”. Ele agora sim
percebeu que ela não tinha asas, estava usando um simples vestido branco que
contrastava com sua pele morena e uma máscara colorida sobre os olhos. “Minha
fantasia chama-se: ninfa da espuma das ondas quebrando na praia” e riu.
E o pirata, também sorrindo: “Como não percebi antes? Aliás,
uma fantasia muito carnavalesca.”
E assim, simples como o riso, uma certa intimidade se instalou
entre eles, e muito pouco tempo depois os dois estavam aos beijos.
Num arroubo de prudência ele apenas perguntou: “Você não é
como as sereias que encantam os marinheiros para afogá-los depois, é?”? Porque
a prudência é algo muito racional para carnavais.
“Geralmente esse é o meu trabalho, mas estamos em feriado de
carnaval também.”.
Conversaram pouco e sobre nada importante. O mundo naqueles
instantes se resumia à música tocando, à alegria em volta, um ao outro. Curtiam
para esquecer e para lembrar-se disso depois.
E o tempo passou com o bloco, sem que ninguém o notasse. Até
que restaram poucas pessoas e a música já não era contínua. A ninfa e seu
pirata estavam sentados num banco de praça, corpos entregues aos braços um do
outro.
Ela disse que tinha que ir, ele pediu que ficasse, “Não
posso” foi a resposta.
“Espere! Qual é o seu nome?”
“Ninfa das ondas... eu já me esqueci”, rindo.
Um longo beijo de
despedida, ela se levanta e vai saindo.
“Mas nem vi seu rosto!”
“Melhor assim. As fantasias não sobrevivem na realidade lá
fora.”
“Mas talvez a gente possa se encontrar.”
“Quem sabe em outro carnaval, com outras fantasias.”
E em uma atmosfera quase sonolenta, o pirata ficou olhando a
sua ninfa do mar ir embora, olhando para ele, macia como uma calma onda
voltando ao oceano.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
“O poema da vida é escrito com três versos: o que foi, o que
não foi e o que deixou de ser”. Foi o que disse um sábio. Essa verdade apareceu
para mim como uma lua cheia de repente vista entre os prédios e com a sensação
de eu ser a única a observá-la.
Depois de escrevê-la, reparei que não havia o “o que será”. Mas
esse verso realmente não existe, o futuro não foi escrito, porém com esses três
versos ele já foi determinado. Obrigando as pessoas a conviver e assumir as
escolhas que fizeram, existe algo mais difícil?
Parece simples e lógico quando se fala, mas a ação já é
muito mais complicada.
O “o que deixou de ser”, o que poderia ter sido é o que me
atormenta, principalmente quando percebo que a escolha foi errada. Sonhamos então
que a outra seria a certa, um sonho completamente inatingível, louco e inútil.
É por isso que
prefiro acreditar no destino, tiro a responsabilidade que eu sei que é minha. Mas a culpa não me deixa.
Eu me encanto com detalhes, e fico feliz que artistas queiram espalhá-los pela cidade.
(1° Avenida, em frente a Faculdade de Farmácia da UFG, Setor Universitário)